Já não tenho mais paciência pra esses vídeos de pobrinhos que pipocam na internet. Uma coisa era o Jeremias, que foi engraçado três anos atrás, mas insistir nesse formato cansa. Classe média parece que gosta de ver o povo feio fazendo tosqueira, isso pra mim é auto-afirmação. Geral se sentindo superior.

Comecei a ver aquele vídeo da Leona, a assassina vingativa, mas não consegui passar dos dez segundos. Qual é a grande graça, meu povo? Tá bom de Vanessão, tá bom de Sem Meias Palavras, tá bom de paredes feias e voz efeminada. Vamos ter mais classe, galera.

dos talentos inatos

Sinto-me inspirada. Acordei com o que posso chamar de good hair day, pela primeira vez em vinte e três anos de existência. Dedico esse evento ao meu, agora inegável, talento para assuntos estéticos.

Sempre fui, como todas as pessoas, escrava dos salões de beleza. Libertei-me parcialmente aos quinze anos, quando achei um secador de cabelos e aprendi a fazer uma escova em meu próprio cabelo. Mas o principal, o corte, ainda tinha que ser no gabinete. Até mês passado.

Estava entediada em casa – aliás, quando é que eu não estou entediada em casa? – e resolvi que queria um corte de cabelo. Não pensei duas vezes: taquei a tesoura, picotei, deixei desigual, picotei mais, até ficar algo no mínimo bizarro. Pois desde então sinto que finalmente meu cabelo ficou do jeito que eu sempre quis mas cabeleireiro nenhum conseguiu fazer. Estou livre! Jamais pisarei em um salão novamente.

(L)

bowie

mick

ringo

jarvis

É oficial, jamais beberei novamente.

Dona Audiência e Seriado Lost: uma história de amor

A Audiência falando sobre Lost.

- Olha, é o seguinte, quando eu o conheci eu fiquei completamente apaixonada, foi amor a primeira vista, sabe. Ele era jovem, misterioso, sempre que nós nos encontrávamos ele me deixava querendo mais.

Mas com o tempo, eu fui começando a ficar angustiada com tantos mistérios. Tentando imaginar por que ele não se revelava completamente para mim, eu acabei ficando frustrada com toda a situação. Aí tivemos nossa primeira grande crise. Ele não me dava nenhuma satisfação, nós só conversávamos sobre o que ele bem entendia. Quando eu começava a interpretar os sinais dele, automaticamente ele já surgia com novos assuntos e eu nunca tinha tempo de compreender completamente o que se passava na mente dele.

Eu fiquei danada! Parte de mim resolveu que eu deveria parar de vê-lo, que ele me fazia sofrer de mais, que não me dava as respostas que eu procurava. Eu estava bastante abalada nessa época e acabei questionando a minha fé no nosso relacionamento. Mas no fundo eu sabia que nós ainda tínhamos potencial. E então nosso relacionamento continuou. Não foi fácil, ele precisou de bastante criatividade pra me ganhar de volta. Sabe essa história de trazer novas pessoas ao relacionamento para apimentar a relação? Pois funciona!

E assim nós prosseguimos, ele com os mistérios dele e eu, apesar de levemente relutante, sempre indo atrás. E ele já tinha uma fórmula: quando as coisas davam uma esfriada, ele convidava novas pessoas para a nossa intimidade e a gente acabava ficando bem de novo.

Até que, de uns tempos pra cá, eu percebi algumas mudanças. Ele, que sempre prezou pelo mistério, de repente estava bem mais comunicativo, me explicando coisas que em outros tempos sequer falaria sobre. No começo eu fiquei bastante empolgada, mas com o decorrer da situação fui perdendo o encanto. O que eu podia fazer? Seu maior charme sempre foi seu ar misterioso, eu sempre senti que precisava desvendar todos os mistérios dele. E de repente lá estava ele me contando tudo, ou quase tudo, e acabando com o mistério. Aí foi quando veio a segunda grande crise. A atual.

Eu, que antes batia a perna e pedia respostas, de repente me vi com muitas respostas, mais do que eu jamais esperava. Com tanta novidade em minha mente, eu passei a questionar a minha função nesse relacionamento. Essa crise está sendo crucial para definirmos o papel de cada um nessa relação. Antes eu não parava pra pensar que eventualmente isso aconteceria, o fato de que nós estaríamos tão próximos que até os segredos dele eu acabaria conhecendo. E agora, que esse momento chegou, eu me sento perdida.

Mas nós estamos resolvendo essa situação. O que eu preciso é aceitar que nós amadurecemos, e ao amadurecermos, nossa relação também amadurece junto. E nós estamos nessa fase, agora.

Depois de duas grandes crises, eu posso dizer com uma certa segurança que eu tenho certeza do meu sentimento pelo Seriado Lost. E que não existe uma fórmula para nosso relacionamento: todo dia é uma caixinha de surpresas.

Baby Lee

Música nova dos meus amorezinhos escoceses:

De acordo com os rumores, esse ano vai ter disco novo do Teenage Fanclub e do My Bloody Valentine. O Tineijão eu sei que não decepciona, mas isso de o My Bloody Valentine querer lançar um disco agora, sei não. Sucessor do Loveless? Tá certo…

Para ilustrar, uma das minhas favoritas do último disco do Teenage:

A música é Flowing, o disco é o Man-Made.

Hello, stranger

Closer é uma verdadeira desgraça para a humanidade. Além de ser horrível, o filme conseguiu estragar duas coisas que eram legais até o dia de seu lançamento: peruca rosa, como a que a Charlotte usa em Lost in Translation, e The Blower’s Daughter, que acabou virando um cover bizarro do Seu Jorge com a Ana Carolina. E a Simone, também? Acho que sim. Ou a versão dela já é uma outra? Não sei, mas é uma desgraça.

Apagaram tudo

Vi hoje, de dentro do ônibus, que pintaram o cruzamento da Engenheiro Santana Jr. com a uma rua que eu não sei o nome, perto do Terminal do Papicu. Pintaram exatamente as paredes com as inscrições do sapateiro que trabalha lá há não sei quantos anos. Nem sei se é sapateiro, apenas imagino.

Eu nunca gostei daquelas frases. Sempre achei feioso. E elas sempre diziam coisas do tipo “Os pobres têm a alma boa e os ricos são ruins”, tudo nesse estilo. Ok, me dê seu dinheiro, então. Mas divago. Eu passei lá e vi tudo branco. Quer dizer, branco não, manchado. A tinta era de pouca qualidade, então eu pude ver os resquícios das palavras. E é claro que, contrariando tudo que eu pensava antes, aproveitei a oportunidade para praguejar mentalmente as pessoas. E praguejar mentalmente esse acidente que as pessoas insitem em chamar de cidade. De Fortaleza.

Falam que o ano só começa depois da semana santa. Errado, em 2009. Pra mim, o ano já começou. E já acabou, também. Não tem mais sentido continuar o ano, as atividades, o mundo: Radiohead já tocou, eu já vi, e não verei de novo.

qual é o coletivo de moderninhos?

Acho ridículo esse negócio de coletivo. Por que não falar simplesmente que é um grupo? Coletivo pra mim é alcatéia, enxame, manada, rebanho. Esses que a gente aprende na quarta série.

okay – loveless [do disco huggable dust]

simplesmente não dá mais pra conhecer e ouvir músicas novas. não falo de músicas inéditas pra mim; esse novo é no sentido contemporâneo mesmo.  tentei lutar o quanto pude, mas agora tornou-se oficial: virei uma velha chata que só gosta de coisas old school.

do crochê, já tenho a agulha e as linhas. só me falta sentar em uma cadeira de balanço e passar o dia fazendo crochê enquanto os meus gatos se divertem com o novelo da linha que está no chão. do meu lado, um radinho de pilha sintonizado em alguma am. aí, de vez em quando, eu suspiro e comento que já não se fazem mais músicas como antigamente.

são 2:59 do dia 07 de outubro. até o dia 23 eu preciso ter alguns muitos trabalhos prontos pra faculdade. eu não quero fazer esses trabalhos, tampouco quero ser jornalista quando crescer. o que me leva à eterna pergunta: pra que ainda curso a faculdade, então?

acho que deve ser por coisas tipo o seriado que vi no domingo, na casa de um familiar. acho que era um seriado, nem sei, mas era algo sobre um estágio na revista rolling stone. por um breve momento, ser jornalista parece algo interessante, mas interessante num jeito quase famosos, algo que nunca aconteceria comigo. aí eu vou, continuo na faculdade, me formo, e o melhor emprego que posso conseguir é pra ser repórter de algum caderno de cultura daqui da província, escrevendo muito provavelmente sobre um espetáculo de arte moderna onde todo mundo fica pelado.

2:45 am

Im going out sleepwalking
Where mute memories start talking
The boss that couldnt help but hurt you
And the pretty thing he made desert you
Im going out now like a baby
A naive unsatisfiable baby
Grabbing onto whatevers around
For the soaring high or the crushing down
With hidden cracks that dont show
But that constantly just grow
Im looking for the man that attacked me
While everybody was laughing at me
You beat it in me that part of you
But Im gonna split us back in two
Tired of living in a cloud
If youre gonna say shit now youll do it out loud
Its 2:45 in the morning
And Im putting myself on warning
For waking up in an unknown place
With a recollection youve half erased
Looking for somebodys arms to
Wave away past harms
Im walking out on center circle
The both of you can just fade to black
Im walking out on center circle
Been pushed away and Ill never go back
Smith, Elliott

must have hope

é fato que i’m definitely a cat person, mas gente. GENTE. eu preciso ter essa cachorrinha que nasceu sem a patinhas dianteiras.

impossível ser mais fofa.

tão lindinha. =~~~

if you’re bored then you’re boring

o problema é que eu preciso trabalhar. eu estou de férias, mas ainda ssim preciso acordar antes das sete todos os dias pra ir trabalhar. antes fosse um ambiente de trabalho tipo esse, mas não. justiça seja feita, o lugar onde eu trabalho é uma belezinha; pessoas simpáticas, meu chefe é bastante atencioso. mas mesmo assim. eu não entendo isso. as pessoas saem de casa todo dia e vão trabalhar. isso devia ser proibido. é muita maldade.

lily allen + sintetizadores = pezinhos batendo no chão e thais singing along.

see you later, aligator

tem uma música do belle and sebastian, mornington crescent, que tem um trecho da letra assim:
” i’ve got a job on / for a senegalese / rich arbitrator / in african law”

sempre que eu escuto senegalese rich arbitrator eu penso em senegalese rich aligator, não sei porquê. e sempre, sempre, essa imagem me vem à cabeça:

resumindo: eu sou mongol, eu.

tenho dois meses pra voltar a são paulo e ver dessa vez yo la tengo ao vivo. =~

sobre são paulo

thais diz:
e o executivos são lindos, também
thais diz:
uma coisa genial de são paulo é que as pessoas são bonitas
thais diz:
normalmente
thais diz:
tipo, você encontra pessoas bonitas no metrô, na padaria, andando na rua
thais diz:
vai procurar uma pessoa bonita aqui num ônibus de fortaleza, vai
thais diz:
im-pos-sí-vel

show do interpol


oh yeah. right on. so good.

objetivo: chegar ao via funchal.

obstáculo 1: chuva torrencial no caminho da parada de ônibus. obstáculo vencido, peguei o ônibus, desci na parada indicada, pronto, agora só precisava encontrar o via funchal. essa fase foi particularmente fácil, bastou seguir todos os hipsters de camisetinhas trendy, jeans skinny e all-star. cheguei ao local, não pode entrar fumando, ok, ok, tem um lixeiro logo ali, pronto, me deixa entrar. já dentro da casa o público era exatamente o que podia se esperar de um show de novo rock pós-punk blasé, ou como você queira classificar a banda. vamos lá, não tem tanta gente, dá pra sentar e esperar passar uma hora até o show começar. mas olha, essa única hora teve uns três dias de duração, de tanto que demorou, até que finalmente o cachorro grande subiu ao palco. surdez, surdez, surdez, eu até gosto dessa banda, gosto mesmo, mas esperando pelo show do interpol qualquer banda que estivesse ali no lugar seria demorada e desnecessária. acabou o cachorro grande, começou a peregrinação em busca de um lugar bom para assistir ao show.

obstáculo 2, baby: de onde surgiram todas essas pessoas? onde elas estavam? simplesmente brotaram do ar? geração espontânea de indies, i tell you. todas essas pessoas que surgiram do nada estavam entre mim e o palco, e todas essas pessoas eram mais altas que eu, sem exceção. então lá estou tentando me infiltrar entre o público, tentando chegar em algum lugar onde eu pudesse ver algo (de preferência pessoas – a banda) no palco e de repente luzes apagadas, gritos, oh meu deus, pioneer to the falls acontecendo.

pioneer to the falls acontecendo, gente, pioneer to the falls acontecendo junto com o meu desespero de tentar achar algum lugar onde eu pudesse assitir ao show. não achei, começou obstacle 1 e eu resolvi relaxar e aproveitar. oh, she’s bad.

obstacle 1

she puts the she puts the she puts the weights into my little heart

update: rest my chemistry.

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