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simplesmente não dá mais pra conhecer e ouvir músicas novas. não falo de músicas inéditas pra mim; esse novo é no sentido contemporâneo mesmo.  tentei lutar o quanto pude, mas agora tornou-se oficial: virei uma velha chata que só gosta de coisas old school.

do crochê, já tenho a agulha e as linhas. só me falta sentar em uma cadeira de balanço e passar o dia fazendo crochê enquanto os meus gatos se divertem com o novelo da linha que está no chão. do meu lado, um radinho de pilha sintonizado em alguma am. aí, de vez em quando, eu suspiro e comento que já não se fazem mais músicas como antigamente.

must have hope

é fato que i’m definitely a cat person, mas gente. GENTE. eu preciso ter essa cachorrinha que nasceu sem a patinhas dianteiras.

impossível ser mais fofa.

tão lindinha. =~~~

sentada na varanda eu percebi que os cachorros são mesmo muito, muito bobinhos. enquanto ela, a bitch, olhava para o nada, distraída, eu estava olhando fixamente pra ela. aí ela olhou pra mim e na mesma hora baixou as orelhas, séria. eu sorri e ela ficou feliz e abanou o rabo. até ensaiou se levantar e vir me lamber, mas eu virei o rosto. ela desistiu e continuou deitada e distraída. com a outra foi a mesma coisa, ela estava deitada, séria, mas bastou um sorriso meu pra ela ficar feliz e de rabo abanando. então eu comecei a cantarolar acompanhando a música que estava tocando, e elas ficaram me encarando, como se tentando entender o que eu estava dizendo. talvez até estivessem, né. elas deviam estar pensando: – mas que menina desafinada!

aí eu me levantei e fiz um afago em cada uma.

um capote:

dois capotes na sala da minha casa:

potência vocal de dois capotes:

dois capotes moram na minha casa. truman I e truman II, seus nomes. eu não sabia, mas os capotes são os animais que têm a maior capacidade de fazer barulho e acordar os outros. sério. então agora são cinco e trinta e sete da manhã e aqui estou eu ouvindo os trumans cantarem. e eu tenho certeza que o bairro inteiro também está escutando.

primeiro vem aquele artista e resolve protestar contra alguma imbecilidade assassinando um cachorrinho em uma exposição. matou o bichinho de fome e sede. como assim? COMO ASSIM??? como se isso já não fosse o fim do mundo, me chegam esse índios filhos da puta e acham que protestar contra alguma outra imbecilidade é cortar cabeças de cachorrinhos em frente às câmeras de tv. HEIN?

por coisas assim que venho pensando que se alguém que faz um negócio desse não recebe punição – e não qualquer uma, mas das piores – então sinceramente não sei porque existe gente no mundo after all.

um pedaço de asa de borboleta aqui na sala, aqui do meu lado. eu pedindo pra pola soltar a pobrezinha, que provavelmente já estava morta quando eu vi. não soltou, mordeu, brincou e partiu em pedaços. eu quis ter brigado com ela na hora, mas nem. na hora eu olhava pra ela e só pensava em como eu fico triste quando algum dos meus gatinhos some ou morre. e o pior é ver os brinquedinhos dele espalhados pela casa. dizem que é errado quando algum filho morre antes dos pais, e eu entendo plenamente. devia ser proibido.